Caderno 1

Saque em São João do Barro Vermelho e emboscada na Fazenda Quixaba.

07 novembro 2017
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                                                                                              (*) Antonio Neto.

                                                                                                                      E-mail: filhoneto@bol.com.br

Conforme denúncia do promotor público de Vila Bela, hoje Serra Talhada, estado de Pernambuco, no dia 28 de outubro de mil novecentos e dezenove, Luiz Pereira da Silva, conhecido como Luiz Padre e Sebastião Pereira da Silva, vulgo sinhô Pereira, no comando de um grupo composto de 14 homens competentemente armados e municiados, constituídos por Bernardo Thomé, Luiz Macário, vulgo Balisa, um individuo chamado Mão de Grelha, Tiburcio da Serra Vermelha, José Benedito, Deodato Cardoso, conhecido por Cardoso, Antônio Victorino, vulgo Gato, uns indivíduos conhecido por Tintá, Francisco Pereira de Souza, conhecido como Chiquito, Theotônio Pereira de Souza, Joaquim Quixabeira e Cícero Chiquito, conhecido por Sereno e, ainda os indivíduos, conhecidos por Moreno, José Preto e Mergulhão, atacaram de surpresa o povoado de São João do Barro Vermelho, na época 3º distrito do município de Villa Bella, hoje Serra Talhada, saqueando os estabelecimentos comerciais ali existentes.

Nas imediações do dito povoado assaltaram a casa de residência do Sr. Galdino Ramos da Rocha e se apoderaram dos objetos que ali encontraram, levaram uma carga de fazenda e tudo mais que haviam obtidos com o saque, até então e de quebra surrupiaram um burro do mesmo Galdino.  A seguir tomaram a direção da fazenda Pedreira, onde roubaram dois rifles e uma pistola mauser e em seguida para o lugar Umburanas, onde ocultaram os objetos roubados.

Prosseguindo em sua incursão criminosa, no dia 6 de novembro do mesmo, o referido grupo de celerados, perseguido pela Força Pública, sob o comando do capitão José Caetano, ao chegar à fazenda Quixaba de propriedade de Antônio Morôto, dividiu-se em dois subgrupos: Luiz Padre na chefia de um dos subgrupos ficou de emboscada em uma casa que se encontrava abandonada e, o outro, chefiado por Sinhô Pereira se postou entrincheirado em um serrote nas proximidades da referida casa.

A Força Pública ao chegar à dita fazenda foi recebida com descargas pesadas de balas, travando-se um tiroteio que durou cerca de duas horas. Desse tiroteio resultou a morte do soldado José de Souza Oliveira e ferimentos em sete soldados: João Martins dos Santos, Antônio Marques da Silva, José Soares da Costa, Firmino Geronymo da Silva, Isidoro Leite da Silva, Antônio Francisco Xavier e Henrique Ludugero, conforme consta dos autos de corpo de delito dos feridos considerados graves. Não foi realizado exame cadavérico do soldado que morreu no lugar da luta, em razão de ter sido sepultado ali mesmo no local do assassinato.

Do lado do grupo de bandoleiros, recebeu ferimento apenas Bernardo Thomé, que foi preso pela Força Pública. Este quando interrogado pelo delegado de polícia capitão Theophanes Ferraz Torres, disse “fazer parte do grupo chefiado por Luiz Padre e sinhô Pereira e que depois do saque à vila de São João do Barro Vermelho, até o dia 6 de novembro desse mesmo ano, ficaram transitando entre o povoado de São Francisco e as imediações da vila de Santa Maria, no município de Belmonte”. Revelou o preso que, “quando, se determinaram ir ao povoado de São João do Barro vermelho para efetuarem o roubo, todos os bandoleiros ficaram escondidos na casa do major João Gregório na fazenda Ema, município de Floresta, desde a noite do dia vinte e seis de outubro de 1919, até a noite do dia seguinte, isto é, do dia vinte e sete”.

Antes da ação dolosa na povoação no São João, disse Bernardo Thomé: “os bornais dos cangaceiros foram abastecidos de víveres pelo dito do major João Gregório, que ainda os cedeu para aumentar o bando criminoso, os indivíduos Mão de Grelha, Tiburcio da Serra Vermelha, José Benedito, Olímpio Benedito e o individuo conhecido por Mergulhão, os quais se achavam na fazenda Ema”. Ainda confessou o preso que “as munições de rifles eram fornecidas ao referido grupo por Marcolino Vieira, filho do coronel Marçal Florentino de Patos, Paraíba e pelo coronel José Pereira de Princesa, Paraíba” e ainda fez referência ao coronel José Ignácio do Barro, estado do Ceará, na condição de protetor de Luz Padre e de Sinhô Pereira.

Este artigo está fundamentado nos autos do processo contra os acusados, portanto, tem amparo legal.  Foi escrito conforme o fato consumado, sem opiniões ou sugestões do autor.

(*) Antonio Neto é escritor, pesquisador, biógrafo e poeta.

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