Caderno 1

Força Pública de Pernambuco no combate de Serra Grande.

08 dezembro 2016
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(*) Antônio Neto

Para enfrentar Lampião e seu  bando, a Força Pública de Pernambuco congregou todas as volantes em ação no sertão do Estado e arregimentou soldados e graduados também do Recife, formando assim, um batalhão de homens armados, entre praças e graduados, em torno de 297 combatentes, entre estes, muitos recrutas sem preparo nenhum para uma luta armada, principalmente, para enfrentar o Rei do Cangaço e seu grupo.

Antes do confronto de Serra Grande, as volantes do sertão pernambucano já vinham a meses em  perseguição  acirrada ao bandoleiro. Este, se vendo acuado, sequestrou dois viajantes para usar como trunfo, passando a exigir das autoridades de Serra Talhada um resgate de  cinco mil réis pela libertação dos mesmos.

Enquanto isso, o chefe dos cangaceiros  ganhava tempo para escolher um local apropriado para lutar com segurança e com vantagem diante do inimigo. Assim o fez e conseguiu induzir a tropa que o perseguia a cair em sua arapuca. Tudo faz crer que os chefes das volantes subestimaram a inteligência de Virgolino Ferreira, o Lampião. Depois do circo armado na garganta da Serra Grande, o celerado e seu bando  entrincheirados em blocos de pedras atacaram os seus perseguidores, matando dez policiais e ferindo quatorze. Esse resultado deixou claro a falta de planejamento dos comandantes das volantes que estavam à frente daquela operação. É como dizia o ex-presidente dos Estados Unidos da América, o general do exercito americano Dwight Eisenhower que: “Antes da batalha, o planejamento é tudo. Assim que começa o tiroteio, os planos são inúteis”. Não dá nem para pensar e, muito menos entender um contingente três vezes superior ao do inimigo, não ter saído da luta em vantagem?

Em meu entendimento, nesse enfrentamento, não houve vencedores nem vencidos. Ambos  tiveram perdas irreparáveis. Do lado da Força do Governo houve dez mortos e quatorze feridos. Da parte dos cangaceiros morreram seis em consequência do fatídico tiroteio e outros tantos saíram feridos, entre eles: Antônio Ferreira, Jurema, Chumbinho, Félix Preto, Sebola e Domingos Benedito, embora o comando do cangaço tenha negado, o fato encontra-se  registrado nos autos do processo, notadamente nos depoimentos da testemunhas arroladas.

A ousadia, a coragem, a determinação e a bravura das volantes comandadas pelo tenente Higinio Belarmino, sargento Arlindo Rocha, sargento Antônio Olinda, cabo Manoel Neto e, outros aqui não nominados, mesmo reconhecendo do perigo, avançaram, heroicamente, para cima do inimigo e com intensa fuzilaria fizeram os bandidos recuarem, após 9 horas de fogo serrado, começado às nove horas e encerrado por volta das 17 horas e 30 minutos do dia 26 de novembro de 1926. Esses heróis da Força Pública merecem, pelo menos, uma menção honrosa de louvor ou mesmo uma homenagem de reconhecimento pelo ato de heroísmo praticado, não só  para os que tombaram sem vida e, também  para os demais, que participaram efetivamente daquela batalha.

Venho salientar que no artigo ” Lampião e seu grupo confronta Força Pública em Serra Grande”,  postado por mim na  coluna “Um Dedo de Prosa” do site www.caderno1.com.br, no qual  citei  equivocadamente que o mesmo  teria ocorrido em 28 de novembro de 1926.  Embora conste dos autos do processo( cópia do documento anexo),  o fato aconteceu em 26 de novembro de 1926, consoante registro no boletim nº 260 da Força Pública de Pernambuco, havendo portanto toda a credibilidade da informação(documento anexo). Peço desculpas  aos leitores  pelo lapso  que cometi no artigo anterior, por não ter confrontado  os dados dos documentos em questão.  Obrigado.

Fonte: Memorial da Justiça de Pernambuco. Cx. 1017.

(*) Antônio Neto é pesquisador, escritor, biógrafo e poeta.  Membro efetivo da Academia Serra-talhadense de Letras e da Academia Recifense de Letras.

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Redação Carderno 1

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