Caderno 1

Cangaceiros em Bom Nome

23 maio 2017
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Antônio Neto

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            Às duas horas da tarde, mais ou menos, do dia 23 de julho de 1912, o cabo Silvino da Costa Barros e o soldado Sabino Sydronio da Costa, do destacamento policial de Belmonte, em Pernambuco, achando-se a serviço no povoado de Bom Nome, distrito deste município, quando de repente chegaram os indivíduos Eloy Lopes de Sá, Cassiano de Tal, cognoniminados de Sipaúba, irmão deste, e um Philomeno de Tal, todos devidamente armados com rifles, segundo eles, com o intuito de venderem uma borracha que traziam, sendo, porém, intimados por aquelas autoridades a se retirarem  imediatamente daquele povoado

Por desobediência à ordem recebida, responderam que só se retirariam dali depois que vendessem a mencionada borracha. O cabo Silvino da Costa Barros, não satisfeito  com a presença dos denunciados, foi ao encontro de Eloy Lopes, a fim de desarmá-lo, travando-se, nesse momento, uma renhida luta entre ambos, no decorrer da qual o cabo Silvino recebeu diversos tiros desfechados por Cassiano de Tal, Irmão deste, que o deixou prostrado por terra gravemente ferido, vindo a falecer horas depois, como consta do exame cadavérico e do corpo delito.

O soldado Sabino Sydronio da Costa, armado com uma carabina, fez várias detonações contra os bandoleiros, sendo inúteis os seus esforços, pois foi atingido por um tiro disparado pelo mesmo Cassiano Sipaúba, deixando o desditoso soldado, gravemente ferido, de acordo com os  depoimentos das testemunhas arroladas. Concluindo-se terem sido eles os autores do nefando assassinato contra os quais existem provas nos autos, o Promotor Público da Comarca de Belmonte, Lopes de Barros, usando das atribuições que a lei lhe confere, ofereceu a denúncia ao Juiz Municipal do município de Belmonte contra Eloy Lopes de Sá, Cassiano de Tal, cognominados de Sipaúba e Philomeno de Tal, primo destes, pelo  fato delituoso  contra o cabo Silvino da Costa Barros e o soldado Sabino Sydronio da Costa. A testemunha José Barbosa da Silva relatou em seu depoimento que não conhecia pessoalmente os denunciados, mas lhe consta que os mesmos a cerca de um ano   andavam no cangaço, bem antes de Lampião, já tendo alguns conflitos puníveis pela lei[1]

*Antônio Neto é pesquisador, escritor,  biógrafo  e poeta. Membro da

Academia Serra-talhadense de Letras e da Academia Recifense de Letra

[1] Memorial da Justiça de Pernambuco. Cx. 369

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Redação Carderno 1

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